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Death Stranding 2: Kojima foi longe demais ou entregou sua obra mais ambiciosa?


Hideo Kojima é provavelmente o único diretor da indústria capaz de fazer um jogo sobre entregas de encomenda virar uma experiência filosófica sobre conexão humana, e ainda assim deixar todo mundo discutindo se ele foi longe demais ou se entregou uma obra de arte. Com Death Stranding 2: On the Beach essa discussão voltou com força total, e hoje a gente vai analisar com calma se Kojima acertou a mão ou se exagerou na dose.

Pra quem não acompanhou, a sequência se passa meses depois do primeiro jogo, com Sam tentando se afastar de tudo, mas sendo arrastado de volta pra missão de reconectar o que restou da civilização. No centro da história está Norman Reedus como Sam, cuja interpretação agora revela um lado mais marcado pelas vivências recentes, alguém que já não é apenas um mensageiro, mas uma pessoa com ligações mais profundas com o mundo e com quem está à sua volta. E essa mudança de tom já é a primeira coisa que separa radicalmente os dois jogos.

Mas vamos com calma porque essa sequência trouxe muita coisa nova que merece ser destacada. Um dos maiores triunfos técnicos do jogo é a introdução de desastres naturais que alteram a topografia em tempo real, com rios transbordando sob chuvas pesadas e terremotos rasgando o asfalto, forçando o jogador a traçar rotas de fuga em questão de segundos. Isso é o tipo de ambição que só Kojima teria coragem de colocar num jogo que já era considerado complexo demais pra muita gente no primeiro título.

E o elenco, que já era um dos pontos fortes da franquia, ficou ainda mais robusto. Entre os retornos estão personagens interpretados por Guillermo del Toro e Nicolas Winding Refn, que continuam mantendo aquele tom filosófico que ajuda a definir a identidade única da narrativa. E uma das adições mais marcantes é o próprio George Miller, diretor de Mad Max, reforçando ainda mais o lado cinematográfico do jogo. Esse nível de elenco não é apenas decoração. Kojima sempre tratou seus atores como parte estrutural da narrativa, e aqui isso se intensifica.

Agora vamos à pergunta central. Onde Kojima foi longe demais? A crítica brasileira foi bem direta nesse ponto. A história é mais compreensível, mas os plot twists não surpreendem tanto, e as mensagens e críticas políticas estão mais explícitas, perdendo força pela própria obviedade. Esse é um ponto interessante porque mostra Kojima tentando corrigir o que muita gente reclamou no primeiro jogo, que era ser excessivamente enigmático, só que o preço disso foi perder parte do impacto que vinha justamente da ambiguidade.

E tem um detalhe que vários analistas apontaram como característico do excesso de Kojima. O jogo dobra a aposta no tom professoral, com cutscenes que destrincham todas as alegorias e até a própria gameplay comentando sobre o que está acontecendo ao redor, repetindo informações que o jogador já tinha entendido sozinho. Isso é Kojima sendo Kojima, mas levado a um ponto que para alguns ultrapassa o necessário.

Por outro lado, tem quem defenda que isso é exatamente parte do que torna a experiência única. A história é descrita como profunda, filosófica e repleta de simbolismo, com a música e o design de som desempenhando papel fundamental no impacto emocional, sendo considerada por muitos uma experiência artística nota máxima pros fãs do estilo de Kojima.

No quesito gameplay, praticamente todo mundo concorda que Kojima acertou. O combate ficou muito mais fluido com armas novas e melhor variedade de inimigos humanoides, a inteligência artificial está mais afiada forçando o jogador a ser mais criativo, e os encontros com os EPs, que eram a parte mais fraca do primeiro jogo, se tornaram um dos pontos fortes da exploração. Quem reclamava do combate truncado do primeiro jogo finalmente teve uma resposta concreta da Kojima Productions.

Visualmente, ninguém questiona a ambição. O jogo atinge um novo patamar de fotorrealismo, com um trabalho técnico que utiliza uma versão recente da Decima Engine, oferecendo renderização, física e jogabilidade que vão impactar profundamente o jogador ao longo de mais de 60 horas de campanha. É difícil discordar que tecnicamente Death Stranding 2 está entre o que há de mais avançado já visto num jogo de mundo aberto.

Então voltando à pergunta título do vídeo: Kojima foi longe demais ou entregou sua obra mais ambiciosa? A resposta honesta é que as duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo, e isso não é uma contradição, é a essência de quem é Kojima como criador. Mesmo com esse jogo de perde e ganha entre acessibilidade e impacto, Death Stranding 2 não deixa de ser uma experiência incrível. Ele simplificou partes da narrativa que tornaram a experiência mais palatável pra quem achou o primeiro jogo impenetrável, mas perdeu um pouco daquela mística que fazia o primeiro Death Stranding ser tão debatido e analisado por anos.

No fim das contas, talvez a melhor forma de encarar Death Stranding 2 seja entender que Kojima não está interessado em fazer o jogo perfeito sob critérios convencionais. Ele está interessado em fazer o jogo que ele quer fazer, do jeito que ele quer fazer, e cabe a cada jogador decidir se topa essa jornada com tudo que ela carrega de excesso e genialidade ao mesmo tempo. Me conta nos comentários, você jogou Death Stranding 2? Acha que Kojima foi longe demais ou que essa é realmente a obra mais ambiciosa dele?

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